Hipertireoidismo em gatos: opções de tratamento
Conheça os principais tratamentos para o hipertireoidismo em felinos e saiba como escolher a melhor abordagem para o seu paciente.
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O hipertireoidismo felino é a endocrinopatia mais comum em gatos geriátricos, caracterizada pela secreção excessiva de hormônios tireoidianos (T4 e T3), geralmente decorrente de um adenoma ou hiperplasia nodular benigna. O reconhecimento precoce, o diagnóstico preciso e a escolha terapêutica adequada são fundamentais para otimizar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente (Peterson, 2021).
Figura 1. Felino com hipertireoidismo em atendimento clínico. Fonte: Dr. Archivaldo Reche Junior.
Figura 2. Palpação de tireoide em exame físico de rotina. Fonte: Dr. Archivaldo Reche Junior.
Terapia Medicamentosa
O metimazol (ou carbimazol) é o fármaco de escolha, atuando na inibição da oxidação e organificação do iodo na tireoglobulina. Pode ser administrado por via oral (2,5 mg/gato a cada 12 h) ou transdérmica em PLO (pluronic lecithin organogel). O ajuste é guiado pela dosagem de T4 e avaliação clínica. Efeitos adversos incluem anorexia, vômitos, prurido facial, hepatotoxicidade e, raramente, agranulocitose. O uso transdérmico apresenta melhor tolerância gastrointestinal.
O monitoramento laboratorial (T4 total, hemograma e enzimas hepáticas) deve ser periódico, especialmente nas primeiras 8 a 12 semanas (Peterson, 2021).
Radioiodoterapia (I-131)
A radioiodoterapia é considerada o tratamento curativo de eleição. O iodo-131 é seletivamente captado pelo tecido hiperfuncionante, emitindo radiação beta que destrói o epitélio folicular anormal. Uma única aplicação subcutânea é eficaz em cerca de 95% dos casos.
As vantagens incluem ausência de anestesia e alta taxa de remissão. As limitações são o custo e a necessidade de isolamento radioativo. O hipotireoidismo iatrogênico pode ocorrer, especialmente em gatos com DRC ou doses elevadas de iodo-131. A utilização de cintilografia para dosimetria individualizada melhora o equilíbrio entre eficácia e segurança (Kaplan; Peterson, 2019; Peterson, 2021).
Figura 3. Radioiodoterapia em gato com hipertireoidismo. Fonte. Dr. Archivaldo Reche Junior.
Cirurgia: tireoidectomia
A tireoidectomia é uma opção eficaz quando o tecido ectópico não está presente. Deve-se preservar as paratireoides para evitar hipocalcemia. O procedimento pode ser uni ou bilateral, dependendo do envolvimento. O pré-tratamento com metimazol reduz o risco anestésico e cardiovascular. Complicações possíveis incluem lesão do nervo laríngeo, hipocalcemia transitória e recidiva em presença de tecido ectópico (Peterson, 2021).
Dieta restrita em iodo
A dieta terapêutica com baixo teor de iodo (0,17 ppm) atua limitando a síntese hormonal. É alternativa para pacientes que não toleram metimazol ou não têm acesso ao radioiodo. O sucesso depende de adesão exclusiva à dieta. A suspensão da restrição leva à recorrência do quadro, indicando que não se trata de tratamento curativo. O uso desse tipo de dieta no longo prazo ainda gera controvérsias quanto aos efeitos sobre a função tireoidiana e metabolismo geral (Higgins; Williams, 2022).
Considerações e perspectivas futuras
A escolha terapêutica deve considerar idade, comorbidades e função renal. O metimazol é indicado para estabilização e manejo crônico, enquanto o radioiodo é o método curativo preferencial. A cirurgia tem papel complementar.
Pesquisas recentes indicam o envolvimento de mutações em TSHR e Gsα na patogênese do hipertireoidismo, sugerindo base genética e ambiental (disruptores endócrinos). Estudos futuros poderão permitir terapias moleculares mais específicas e estratégias preventivas (Hiron et al., 2024).
Conclusão
O manejo do hipertireoidismo felino requer diagnóstico acurado e escolha terapêutica individualizada. A radioiodoterapia representa o padrão-ouro, mas alternativas farmacológicas continuam essenciais em muitos contextos clínicos. O avanço no entendimento molecular e diagnóstico deverá aprimorar as estratégias de prevenção e tratamento nos próximos anos.
Referências Bibliográficas
1. Peterson, M. E. Feline hyperthyroidism: an update. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 23, n. 11, p. 1049-1065, 2021.
- Van der kooi, E.; Lecavalier, S.; Bartges, J. et al. Diagnosis and management of feline hyperthyroidism. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 52, n. 3, p. 453-474, 2022.
- Kaplan, A. J.; Peterson, M. E. Radioiodine treatment of hyperthyroidism in cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 33, n. 2, p. 503-514, 2019.
- 2. Higgins, E. S.; Williams, T. L. Dietary management of feline hyperthyroidism: efficacy and long-term considerations. Canadian Veterinary Journal, v. 63, n. 5, p. 497-505, 2022.
- 3. Hiron, T.K.; Aguiar, J; Williams, J.M. et al. Transcriptomic analysis reveals a critical role for activating Gsα mutations in spontaneous feline hyperthyroidism. Science Reports, v. 20, n.14(1):28749, 2024.
- 4. Scott Moncrieff, J. C. Clinical and laboratory assessment of feline hyperthyroidism. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 46, n. 6, p. 1227-1245, 2016.
Comentários (6)
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Lars Ulrick Miranda de Agostino
outro teste
Lars Ulrick Miranda de Agostino
teste teste teste
Lars Ulrick Miranda de Agostino
boa
Lars Ulrick Miranda de Agostino
se eu responder esse
Lars Ulrick Miranda de Agostino
vai respondendo
Luiz Ricardo
iai