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Hipertireoidismo em gatos: opções de tratamento

Conheça os principais tratamentos para o hipertireoidismo em felinos e saiba como escolher a melhor abordagem para o seu paciente.

Publicado em 02 de abril, 2026
Opções de tratamento para hipertireoidismo em gatos.

O hipertireoidismo felino é a endocrinopatia mais comum em gatos geriátricos, caracterizada pela secreção excessiva de hormônios tireoidianos (T4 e T3), geralmente decorrente de um adenoma ou hiperplasia nodular benigna. O reconhecimento precoce, o diagnóstico preciso e a escolha terapêutica adequada são fundamentais para otimizar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente (Peterson, 2021).

Gato com hipertireoidismo.

Figura 1. Felino com hipertireoidismo em atendimento clínico. Fonte: Dr. Archivaldo Reche Junior.

Palpação de tireoide em gato.

Figura 2. Palpação de tireoide em exame físico de rotina. Fonte: Dr. Archivaldo Reche Junior.

Terapia Medicamentosa

O metimazol (ou carbimazol) é o fármaco de escolha, atuando na inibição da oxidação e organificação do iodo na tireoglobulina. Pode ser administrado por via oral (2,5 mg/gato a cada 12 h) ou transdérmica em PLO (pluronic lecithin organogel). O ajuste é guiado pela dosagem de T4 e avaliação clínica. Efeitos adversos incluem anorexia, vômitos, prurido facial, hepatotoxicidade e, raramente, agranulocitose. O uso transdérmico apresenta melhor tolerância gastrointestinal.

O monitoramento laboratorial (T4 total, hemograma e enzimas hepáticas) deve ser periódico, especialmente nas primeiras 8 a 12 semanas (Peterson, 2021).

Radioiodoterapia (I-131)

A radioiodoterapia é considerada o tratamento curativo de eleição. O iodo-131 é seletivamente captado pelo tecido hiperfuncionante, emitindo radiação beta que destrói o epitélio folicular anormal. Uma única aplicação subcutânea é eficaz em cerca de 95% dos casos.

As vantagens incluem ausência de anestesia e alta taxa de remissão. As limitações são o custo e a necessidade de isolamento radioativo. O hipotireoidismo iatrogênico pode ocorrer, especialmente em gatos com DRC ou doses elevadas de iodo-131. A utilização de cintilografia para dosimetria individualizada melhora o equilíbrio entre eficácia e segurança (Kaplan; Peterson, 2019; Peterson, 2021).

Radioiodoterapia em gato com hipertireoidismo.

Figura 3. Radioiodoterapia em gato com hipertireoidismo. Fonte. Dr. Archivaldo Reche Junior.

Cirurgia: tireoidectomia

A tireoidectomia é uma opção eficaz quando o tecido ectópico não está presente. Deve-se preservar as paratireoides para evitar hipocalcemia. O procedimento pode ser uni ou bilateral, dependendo do envolvimento. O pré-tratamento com metimazol reduz o risco anestésico e cardiovascular. Complicações possíveis incluem lesão do nervo laríngeo, hipocalcemia transitória e recidiva em presença de tecido ectópico (Peterson, 2021).

Dieta restrita em iodo

A dieta terapêutica com baixo teor de iodo (0,17 ppm) atua limitando a síntese hormonal. É alternativa para pacientes que não toleram metimazol ou não têm acesso ao radioiodo. O sucesso depende de adesão exclusiva à dieta. A suspensão da restrição leva à recorrência do quadro, indicando que não se trata de tratamento curativo. O uso desse tipo de dieta no longo prazo ainda gera controvérsias quanto aos efeitos sobre a função tireoidiana e metabolismo geral (Higgins; Williams, 2022).

Considerações e perspectivas futuras

A escolha terapêutica deve considerar idade, comorbidades e função renal. O metimazol é indicado para estabilização e manejo crônico, enquanto o radioiodo é o método curativo preferencial. A cirurgia tem papel complementar.

Pesquisas recentes indicam o envolvimento de mutações em TSHR e Gsα na patogênese do hipertireoidismo, sugerindo base genética e ambiental (disruptores endócrinos). Estudos futuros poderão permitir terapias moleculares mais específicas e estratégias preventivas (Hiron et al., 2024).

Conclusão

O manejo do hipertireoidismo felino requer diagnóstico acurado e escolha terapêutica individualizada. A radioiodoterapia representa o padrão-ouro, mas alternativas farmacológicas continuam essenciais em muitos contextos clínicos. O avanço no entendimento molecular e diagnóstico deverá aprimorar as estratégias de prevenção e tratamento nos próximos anos.

Referências Bibliográficas

  • 1. Peterson, M. E. Feline hyperthyroidism: an update. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 23, n. 11, p. 1049-1065, 2021.

  • Van der kooi, E.; Lecavalier, S.; Bartges, J. et al. Diagnosis and management of feline hyperthyroidism. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 52, n. 3, p. 453-474, 2022.
  • Kaplan, A. J.; Peterson, M. E. Radioiodine treatment of hyperthyroidism in cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 33, n. 2, p. 503-514, 2019.
  • 2. Higgins, E. S.; Williams, T. L. Dietary management of feline hyperthyroidism: efficacy and long-term considerations. Canadian Veterinary Journal, v. 63, n. 5, p. 497-505, 2022.
  • 3. Hiron, T.K.; Aguiar, J; Williams, J.M. et al. Transcriptomic analysis reveals a critical role for activating Gsα mutations in spontaneous feline hyperthyroidism. Science Reports, v. 20, n.14(1):28749, 2024.
  • 4. Scott Moncrieff, J. C. Clinical and laboratory assessment of feline hyperthyroidism. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 46, n. 6, p. 1227-1245, 2016.

Comentários (6)

  1. Lars Ulrick Miranda de Agostino

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  2. Lars Ulrick Miranda de Agostino

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    1. Lars Ulrick Miranda de Agostino

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    2. Lars Ulrick Miranda de Agostino

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      vai respondendo

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